Petrolândia Notícias: Homem que perdeu visão após ação da PM em protesto no Recife diz que está 'desestruturado'

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TRINDADE MÓVEIS

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

Homem que perdeu visão após ação da PM em protesto no Recife diz que está 'desestruturado'


Daniel tinha ido ao Centro do Recife comprar material de trabalho, quando foi atingido - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO/TV GLOBO

"Emocionalmente desestruturado". É assim que o adesivador Daniel Campelo, 51 anos, descreve como se sente depois de perder a visão de um dos olhos por causa da violência policial durante um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Recife, no dia 29 de maio.

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (6), Daniel relatou que o momento em que foi atingido por balas de borracha no olho esquerdo e nas costas se repete, "que nem em um filme".

"Você está dormindo e, rapidamente, volta. Você escuta os barulhos, o estampido, a gritaria. Eu estou emocionalmente desestruturado. Qual era a ameaça de cidadãos procurando seus direitos e de cidadãos indo trabalhar?", questiona.

Daniel também relembrou o momento em que, ferido, pediu ajuda aos policiais em uma viatura, sem sucesso. "Se eles não me ouvissem, estavam me vendo", disse.

O adesivador não participava do protesto. Ele tinha ido ao Centro da cidade comprar material de trabalho e foi atingido pouco depois de descer de um ônibus, impedido de passar por causa da manifestação. Assim como Daniel, o arrumador de contêiner Jonas Correia de França, 29, também não fazia parte do ato e foi vítima da ação truculenta, perdendo a visão do olho direito.

Jonas, que chegava ao Centro do Recife para comprar carne, falava com a esposa pelo telefone no momento em que foi ferido por bala de borracha. Na sexta-feira (4), ele recebeu a notícia de que não é possível reverter o dano causado em seu olho. Agora, preocupa-se com o sustento da família.

"Quem sai de de casa para manter minha família sou eu. E agora, como vai ficar? Os policiais têm que proteger os cidadãos, não maltratá-los. Eu não mostrava nenhum perigo", disse.

Do JC