Petrolândia Notícias: Prestes a iniciar uma nova fase do clã Arraes-Campos em Pernambuco, João ainda busca firmar sua marca pessoal

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domingo, 20 de dezembro de 2020

Prestes a iniciar uma nova fase do clã Arraes-Campos em Pernambuco, João ainda busca firmar sua marca pessoal


Ao afirmar por diversas vezes, durante a campanha, que é filho do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mas que não representa apenas isso, o prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB), trouxe para si a missão de deixar impressa sua marca pessoal, já nos primeiros meses de gestão ao assumir a Prefeitura do Recife no dia 1º de janeiro. Desde a trágica morte de Eduardo Campos, em um acidente aéreo em 2014, quando disputava à presidência da República, João é o primeiro Arraes-Campos a chegar ao Executivo em Pernambuco, ainda que na esfera municipal.

As referências políticas não apenas do seu pai, mas do seu bisavô Miguel Arraes, se fazem presentes a cada discurso. Em sua diplomação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), Campos falou sobre “olhar para o passado não com saudade, mas como referência”. “Miguel Arraes dizia que é importante ter dignidade para amanhecer todos os dias e construir, com muito trabalho, união, propósito e competência, aquele futuro que deve ser feito visando sempre o maior problema que temos, que é a desigualdade social”, afirmou o novo gestor, mencionando também o ex-governador Eduardo Campos quando fazia a defesa sobre “inaugurar vida na vida das pessoas”.

A história política da família começou com Miguel Arraes, que foi governador de Pernambuco por três mandatos, prefeito do Recife, deputado estadual e federal. Durante sua primeira passagem pelo Palácio do Campo das Princesas, na década de 1960, ele foi obrigado a deixar o cargo e exilar-se, uma das consequências do golpe militar de 1964, fato que lhe deu ares de mito. Eduardo, por sua vez, teve passagens pelo Parlamento estadual e federal, foi ministro da Ciência e Tecnologia no governo Lula (PT) e governador de Pernambuco. No início dos anos 1990 tentou sagrar-se prefeito da capital do Estado, mas acabou derrotado.

Com uma bagagem familiar tão robusta, não é muito difícil ouvir o socialista evocar frases marcantes ditas por seu pai ao longo dos oito anos que passou à frente do Governo do Estado. O bordão “pegado no serviço”, virou sua marca não apenas na campanha, e aliados têm visto com bons olhos a atuação do socialista nessa fase de transição do governo. “Ele tem mostrado bem a sua proatividade. A busca para que a vacinação contra a covid-19 seja feita de forma célere no Recife, é muito mais um movimento político, porque há uma previsão de que as vacinas estejam liberadas pela Anvisa em meados de fevereiro”, observou um aliado socialista, sob reserva.

Nesta semana, o prefeito eleito também foi em busca de parcerias com as instituições financeiras públicas, Banco do Brasil e Caixa Econômica. “É o momento de mudar do discurso para tornar realidade”, frisou o socialista.

Segundo o historiador e cientista político Alex Ribeiro, é preciso analisar os diferentes atores políticos da família Arraes-Campos, de acordo com o seu tempo. “O modelo de gestão marcado por Miguel Arraes, foi, sobretudo, pela defesa dos trabalhadores rurais, como antes da ditadura militar, se associando às ligas camponesas, como também em seu segundo mandato, com a criação do programa chapéu de palha”, pontuou. “Já o governo Eduardo Campos continuou o diálogo com setores rurais, mas teve uma ampliação: seu modelo de gestão foi marcado pelo diálogo, modernização, industrialização e alianças com partidos de diferentes colorações”, complementou Ribeiro.

No caso de João Campos, a inovação alinhada a tecnologia tem sido uma bandeira levantada desde que iniciou a corrida eleitoral, assim como a defesa pela igualdade de gênero, que devem permear esse novo mandato. “Mas é importante frisar que a gestão de João Campos é no âmbito municipal, a questão dos recursos se coloca aqui de forma diferente de uma gestão estadual”, ressaltou o cientista político.

Vanuccio Pimentel, cientista político e professor da Asces-Unita, observa que a vitória de João nesta eleição dá novo fôlego ao clã Arraes-Campos e deve exercer forte poder de influência nos rumos políticos do Estado. “De maneira muito bem-sucedida João Campos conseguiu capturar o capital político do pai e do bisavô e agora assume a prefeitura. Mas o que isso representa? Que diante da juventude dele, diante da expectativa de vida política que ele tem, ele vai conseguir dar sobrevida a essa herança por muito mais tempo. Essa estratégia de clã vai permanecer em Pernambuco por mais tempo e influenciar muito a política nos próximos anos”, disse.

Via PE Notícias

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