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sábado, 14 de novembro de 2020

Eleição na pandemia tem salto de prefeitos candidatos à reeleição e risco de abstenção recorde


Em meio à maior calamidade pública que o eleitorado brasileiro já viveu, as eleições deste domingo (15) serão marcadas por duas novidades de direções opostas: um grande salto na participação de prefeitos candidatos à reeleição e a chance de menor participação dos eleitores na história recente.

O primeiro artigo desta coluna mencionava que até 2016 o percentual de prefeitos que podiam se recandidatar vinha caindo lentamente. Os dados do TSE mostram, contudo, uma forte inversão de padrão este ano: 74,6% dos prefeitos eleitos em 2016 —ou cerca de três em cada quatro— que podiam se recandidatar o fizeram. No total dos municípios, duas em cada três prefeituras terão seus mandatários atuais tentando ficar no cargo. Tal crescimento chama ainda mais a atenção se notarmos que a taxa de sucesso dos que tentavam se reeleger também vinha caindo. Como entender que, justo em meio à pandemia, mais candidatos apostem que podem ser reeleitos pelo eleitor?

Primeiro, há um possível incentivo institucional. Em 2020, passam a estar proibidas as coligações eleitorais para vereador. Por um lado, é sabido que tal proibição já elevou o número de candidatos a vereador. Por outro lado, pode ser que, por consequência, também tenha elevado o número de candidaturas a prefeito. Afinal, repetindo a lógica conhecida das eleições para governador, não podendo se coligar com outros partidos, por que alguma legenda abriria mão de lançar seu próprio candidato a prefeito?

Entretanto, a decisão de se recandidatar também está relacionada às expectativas de desempenho nas eleições. Como podemos observar no gráfico, nos municípios com menores taxas de morte por Covid-19 a cada 100 mil habitantes, prefeitos estão tentando se reeleger com mais frequência do que nos municípios onde houve mais mortes. Note, ainda, que isso não está ligado a uma possível relação entre mortes por Covid-19 e tamanho populacional. Mais importante: no agregado dos municípios com mais mortes, as porcentagens de candidatos à reeleição são menores do que no agregado nacional de anos anteriores.

Outro estímulo que a pandemia pode ter dado aos candidatos à reeleição são mudanças singulares no processo eleitoral. Por conta da Covid-19, o período de campanha eleitoral neste ano foi mais curto e com diversas restrições a eventos presenciais. Com menos oportunidades de exposição pública, os candidatos menos conhecidos têm desvantagem, já que os candidatos à reeleição são, por definição, mais conhecidos.

Por fim, outro impacto importante da pandemia seria sobre o aumento da abstenção. Caso essa expectativa se concretize, é incerto como isso afetará os resultados eleitorais. Poucas pesquisas de opinião indagaram os entrevistados sobre sua propensão de votar. Não sabemos quais candidatos têm eleitores menos propensos a votar. Será que candidatos líderes de pesquisa ou aqueles cujo suporte eleitoral depende mais dos jovens seriam beneficiados por abstenção causada pelo medo de ir votar?

São muitas as questões em aberto. No entanto, cabe uma nota de cautela: embora a Covid-19 possa tornar estas eleições singulares, esta não parece ser uma eleição necessariamente sobre a pandemia. A julgar pelos debates e programas de governo nas maiores capitais, medidas de enfrentamento à pandemia raramente tornaram-se questões centrais. Contudo, até que a vacina esteja ao alcance, tudo indica que boa parte do enfrentamento à Covid-19 —de decisões sobre imposições e fiscalização de distanciamento social até a gestão de serviços de saúde— continuará nas mãos dos prefeitos eleitos amanhã.

Via PE Notícias

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