Petrolândia Notícias: De onde vem o que eu como: caju pode virar até ‘queijo’, mas não é fruta

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

De onde vem o que eu como: caju pode virar até ‘queijo’, mas não é fruta


 “O único fruto – não fruta – brasileiro”, foi assim que Vinicius de Moraes descreveu em seu “Soneto ao caju”, de 1947, esse produto 100% nacional.

O motivo é que o caju é considerado um falso fruto, mesmo com sua polpa tão apreciada em sucos. Isso porque, tecnicamente, o fruto verdadeiro é a castanha, pois foi ele que nasceu do ovário da flor. A “carne” é chamada de pedúnculo.

Termos técnicos à parte vale destacar que a afirmação de Vinicius foi uma licença poética – afinal existem outros falsos frutos nativos do país, como o abacaxi, por exemplo.

O fato é que caju é uma das riquezas do campo brasileiro. Nativo do Nordeste é fonte de renda para mais de 190 mil pequenos produtores, que, normalmente, são organizados em cooperativas.

A atividade ainda está concentrada nessa região: 90% da produção do caju de Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Mas o Brasil não é o atual líder mundial na produção, que é maior em países da África e da Ásia.

Castanha em alta

A produção brasileira de castanha de caju prevista para 2020 é de 149,5 mil toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se confirmado o resultado, será uma alta de 7,3% em relação a 2019.

O IBGE não possui informações específicas da polpa. No campo das exportações, também não há dados sobre vendas do falso fruto, já que ele é muito perecível e é difícil de ser vendido ao exterior.

A castanha, porém, trouxe US$ 121,2 milhões de receita ao país em 2019. De janeiro a agosto deste ano, o setor movimentou US$ 67,3 milhões.

Criado para o mundo

Embora o caju seja nativo do Brasil, registrado pelos portugueses 50 anos após o descobrimento, hoje Costa do Marfim, Índia e Vietnã são destaques na atividade.

O motivo é que nossos colonizadores levaram o caju para as Índias Orientais – região que hoje seria equivalente ao sudeste asiático e à Índia. Mesmo assim, o Brasil ainda é referência.

“Temos um grande protagonismo na produção, não apenas pela origem do caju, mas também por ser o país onde não se olha apenas a castanha”, explica o pesquisador Vitor Oliveira, presidente do Instituto Caju Brasil (ICB).

Isso porque a castanha é o produto de maior valor e, com isso, muitos países não fazem o aproveitamento da polpa. “Nós usamos 100% do que produzimos, do pedúnculo à castanha”, acrescenta Oliveira.

Fama recente

A amêndoa da castanha de caju é a terceira noz mais consumida do mundo. Inclusive, por muito tempo, não era um produto muito popular no Brasil. A produção daqui sempre foi muito exportada, especialmente para os Estados Unidos.

“Historicamente, a amêndoa de castanha de caju, até a década de 1990, praticamente 100% da castanha que era processada no Brasil era destinada ao mercado externo”, diz Vitor Oliveira, presidente do ICB.

Hoje, do que é processado no país, cerca de 45% é consumido internamente, e o restante é vendido ao exterior. Uma parcela menor é exportada in natura, sem nenhum tratamento.  

O crescimento no consumo é algo recente, segundo Oliveira, tem cerca de 10 anos.

Ele surgiu em um momento em que as pessoas buscavam uma alimentação saudável. A castanha ajuda no combate ao colesterol ruim, por exemplo, e traz outros benefícios à saúde.

“Antes o consumo era de fundo de quintal, muito artesanal. Hoje, vemos a adoção de um estilo de vida mais saudável, e as pessoas começam a ver a castanha como um lanche saudável e tem um preço competitivo se comparada com outras nozes”, explica Oliveira.

E existe espaço para produzir e consumir mais castanha de caju, segundo o vice-presidente da Federação de Agricultura do Ceará (Faec), Rodrigo Diógenes.

No maior estado produtor de caju do país, a colheita, que começou em setembro, está estimada em torno de 80 mil toneladas, mas Diógenes explica que a capacidade de processamento do Ceará é de 120 mil toneladas.

Ou seja, existe espaço para mais produção sem precisar de novos investimentos.

“Os desafios da cajucultura são a falta de mão de obra para a colheita, a falta de assistência técnica e, principalmente, de uma maior divulgação do consumo de caju”, explica Rodrigo Diógenes.

“Existe um público para a castanha, mas existem mais produtos, como aguardentes, sucos e outros produtos vegetais que podem ser consumidos”, acrescenta.

Via PE Notícias

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