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domingo, 11 de outubro de 2020

Após comprarem meteoritos de moradores do Sertão de Pernambuco, estrangeiros vendem na web até 10 vezes mais caros


Meteoritos que caíram em Santa Filomena, no Sertão de Pernambuco, e foram comprados por “caçadores” estrangeiros das mãos de moradores do sertão, que cobravam entre R$ 20 e R$ 40 por grama, agora estão sendo vendidos a até R$ 300 por grama na internet.

As pedras caíram do céu no dia 19 de agosto de 2020. Poucos dias depois, a cidade de 14 mil habitantes viu brotarem pesquisadores e “caçadores de meteoritos” do Brasil e de outros países.

A única pousada da cidade virou “centro comercial”, onde meteoritos encontrados por moradores eram vendidos aos estrangeiros. No câmbio que se criou no local, a grama da pedra era negociada primeiro a R$ 20, e depois chegou a R$ 40, contaram moradores.

Menos de dois meses depois, ao menos dois dos estrangeiros que estiveram em Santa Filomena vendem as pedras na internet por preços entre R$ 100 e R$ 300 por grama.

O maior catálogo é de um norte-americano, Michael Farmer, que oferece pedras no Facebook:

Ele comercializa mais de 35 pedras de Santa Filomena, algumas delas já marcadas como vendidas, por um preço médio de R$ 140 por grama.

O valor das pedras do norte-americano chega a R$ 168 por grama (peça de 8,98 gramas por U$$ 270, ou cerca de R$ 2.400).

A de maior preço total tem 235 gramas e custa US$ 4.700, ou cerca de R$ 26.300 mil.  

Outro “caçador” porto-riquenho, Raymond Borges, oferece três meteoritos a preços mais variados:

Uma das pedras, de 124 gramas, é oferecida por US$ 2.499 (cerca de R$ 14 mil, R$ 113 por grama).

Outra pedra do porto-riquenho tem o maior valor por peso encontrado pela reportagem. Ela tem 18,4 gramas e vale US$ 999 (cerca R$ 5,6 mil, ou R$ 300 por grama).

Como estão em um site de leilão, os meteoritos podem até receber lances maiores do que os preços estipulados por ele.  

A peça mais valiosa do porto-riquenho é identificada, em inglês, como “fully crusted”. Isso significa que ela tem intacta uma camada externa, chamada crosta de fusão, o que indica que a pedra é “fresca” e não sofreu intempéries e contaminações do ambiente terrestre.

As peças também podem valer mais por estarem inteiras, sem quebras ou rachaduras e até por sua história de queda. Uma das pedras é exaltada por ter caído perto da igreja e ter ficado “famosa” na cidade.

A pedra foi vendida por Edimar da Costa, estudante de administração de 20 anos. Ele contou em agosto que estava em casa quando viu o céu se encher de fumaça e o WhatsApp lotar de mensagens dizendo que tinha chovido pedra.

Vendedor resignado

Edimar saiu para a rua e achou no meio da praça em frente à Igreja Matriz, exatamente no centro da cidade, a pedrinha de 7 cm e 164 gramas. Ele vendeu a Michael por R$ 4990 (R$ 30 por grama), e agora vê anunciada na internet por US$ 4.100 (cerca de R$ 23 mil, quase cinco vezes mais)

“Eu vendi consciente de que iam comprar e vender superfaturado, para ganhar um lucro imenso”, disse o estudante à época. “Mas infelizmente a gente da cidade não tinha como avaliar nem vender para outra pessoa, não sabia como fazer”, ele comenta, resignado.

“Eu não trabalhei por essa pedra, ela só caiu, e uma pessoa me deu dinheiro por ela. Então não fico pensando em quanto podia ter ganhado a mais”, afirma Edimar. Ele vai usar o dinheiro que ganhou para ajudar a pagar a faculdade.

Via PE Notícias

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