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domingo, 13 de setembro de 2020

A origem da nota de R$ 200


Era fim de julho quando a diretora de Administração do Banco Central (BC), Carolina de Assis Barros, anunciou que o país ganharia uma nova cédula. A notícia da nota de R$ 200 estampada pelo lobo-guará pegou a todos de surpresa, gerando piadas e polêmicas nas redes sociais. No entanto, ela não era uma novidade para alguns poucos funcionários da Casa da Moeda e do Banco Central, que prepararam o layout inicial em 2010. Na época, a autarquia não via necessidade de lançar um valor maior, mas já se preparava caso a ocasião surgisse.

E a pandemia criou essa ocasião. Os efeitos do coronavírus causaram um desequilíbrio na circulação de papel-moeda no país. Mais receosas e inseguras com o futuro da economia, as pessoas começaram a guardar mais dinheiro vivo em suas casas, o que tira as cédulas de circulação. O segundo motivo foi o pagamento dos R$ 600 do auxílio emergencial, que, por outro lado, aumentou a demanda por notas, já que muitos preferiram sacar o dinheiro. O valor total de papel-moeda em circulação chegou a R$ 342 bilhões neste ano, muito acima da projeção inicial de R$ 301 bilhões.

Nessa situação, o Banco Central procurou opções para prevenir uma possível falta de papel-moeda. Antes de tomar a decisão de criar uma cédula de valor maior, pediu para a Casa da Moeda acelerar a produção das notas já existentes, mas percebeu que ela não teria a capacidade de produção necessária. Depois, procurou casas impressoras internacionais, recebendo em troca várias negativas, já que elas também estavam operando em sua capacidade máxima de produção. A terceira opção foi criar a nota de valor maior, que poderia atender à demanda da população com um número menor de cédulas impressas.

Tomada a decisão, o processo que envolve, além do Banco Central, a Casa da Moeda começa. Foram menos de dois meses de produção, um tempo recorde, muito inferior ao período normal de dois a três anos necessários para a criação de uma nova cédula.

O projeto se inicia com um pequeno grupo de servidores na Casa da Moeda e do Banco Central, que definem quais serão os elementos de segurança e a aparência da nota, em um processo sigiloso. Designer gráfica por formação e há 22 anos atuando como servidora, a gerente de projetos da Casa da Moeda, Millie Britto, relatou que os desenhos são feitos em uma “sala cofre” na sede da instituição, no Rio de Janeiro. A gerente disse, fazendo graça, que fica “incomunicável” durante o dia. “A gente tem uma sala cofre, os servidores são próprios, a gente não se comunica muito não. O pessoal brinca: a Millie não respondeu à mensagem? Não, ela está no cofre, literalmente.”

A pressa na produção foi um fator importante para determinar a estética da cédula. Em menos de dois meses, o Banco Central e a Casa da Moeda tiveram de tirar o layout da gaveta, escolher os elementos de segurança, comprar os insumos, muitas vezes importados, preparar as formas e a impressão de 450 milhões de cédulas.

Essa preparação foi essencial para que o BC conseguisse entregar a nova cédula em tempo. Para apressar ainda mais o processo, a nota de R$ 200 partiu de muitas ideias que já estavam prontas. No caso do tamanho da cédula, o Banco Central não tinha tempo hábil para a criação de uma forma em tamanho maior, como seria o normal, já que as notas seguem a lógica de que, quanto maior é o valor, maiores são as dimensões. Dessa maneira, optou-se pela forma de R$ 20, que já tinha alguns elementos de segurança previstos para a nova nota.

A mesma lógica foi seguida na escolha do lobo-guará. O Banco Central usou uma pesquisa de 2001 para determinar o animal como símbolo. Dezenove anos atrás, ele ficou em terceiro lugar em uma pesquisa de opinião, perdendo para a tartaruga marinha, dona do primeiro lugar, que ficou na nota de R$ 2, e para o mico-leão-dourado, o segundo lugar, que estampa a nota de R$ 20.

Desde o momento em que a criação da nota foi divulgada, no fim de junho, até ela entrar em circulação, no início de setembro, as redes sociais explodiram com memes e piadas, algumas criativas, outras nem tanto. Montagens surgiram com sugestões de personagens para estampar a nova cédula, como a cantora Pabllo Vittar e o famoso vira-lata caramelo, visto como verdadeiro símbolo nacional pelos internautas. O chefe adjunto do Departamento de Meio Circulante do Banco Central, Fábio Bollmann, disse que as piadas foram recebidas com “naturalidade” pelos funcionários da autarquia. “A sociedade hoje é muito assim, qualquer evento que aconteça no dia seguinte você já tem uma série de memes, brincadeiras. A gente leva na esportiva”, disse com bom humor.

Infelizmente para quem até fez petição para incluir o vira-lata caramelo na nota, o Banco Central já havia escolhido um “primo” do cachorro, o lobo-guará. Mesmo deixado de lado, o protagonismo do simpático cachorrinho não foi apagado. Atento aos pedidos das redes sociais, os responsáveis pela divulgação da nova cédula já começaram a pensar em uma maneira de incluir o vira-lata nas peças de publicidade. Já no primeiro vídeo publicitário, ele aparece, sem muito destaque, quase como um “easter egg”, nome em inglês dado para referências escondidas em filmes, jogos ou séries de TV. No fim do vídeo, ele pode ser visto por alguns segundos, em cima de um sofá, entre duas pessoas que se presenteiam.

Com essa presença, parecia que o Banco Central já havia cumprido a promessa de usar o cão na divulgação. No entanto, no dia seguinte, em outro vídeo, o vira-lata ganhou o protagonismo. Em uma peça de 44 segundos, o cachorro, dessa vez falante, apresenta os elementos de segurança da nova cédula e pede para que as pessoas recebam, com o mesmo carinho, seu “primo”, o lobo-guará.

DO ÉPOCA

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