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domingo, 14 de abril de 2019

Novo gestor do MEC colecionou elogios e polêmica em curta carreira acadêmica

Ao tomar posse, na última terça-feira, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, tentou acalmar os ânimos de analistas que se disseram preocupados com a falta de experiência do economista paulistano na área educacional. Ressaltou aos presentes ser professor universitário, como “70% dos ex-ministros” dos últimos 16 anos, e em uma instituição “bem renomada”, a Unifesp.

Sua experiência acadêmica, porém, é tão curta quanto polêmica. O nome escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para estancar quase cem dias de paralisia da pasta passou pouco mais de quatro anos dando aulas de microeconomia e mercado financeiro na Universidade Federal de São Paulo, onde pouco tratou de temas relativos à área de Educação, segundo seus alunos.

Sua performance como professor nos cursos de Ciências Atuarias e Ciências Contábeis no campus de Osasco é elogiada mesmo por estudantes que não concordam com suas posições políticas. Já nas relações com colegas e alunos, colecionou desentendimentos e foi alvo de apurações da instituição por responder a ataques de estudantes nas redes sociais.

A reportagem procurou o novo ministro, mas ele não quis falar com a reportagem. A Unifesp disse ser uma instituição acadêmica apartidária, com espaço de discussão ampla e irrestrita acerca de quaisquer temas que repudia toda e qualquer forma de violência contra quaisquer integrantes de sua comunidade.

Abraham, 47 anos, entrou na Unifesp em 2014, quando foi candidato único a dar aula de Aspectos Práticos de Operações de Mercado. No concurso, tirou a nota mínima: 7. Entre os oito professores aprovados para dar aula no campus de Osasco naquele ano, foi o que ingressou com a nota mais baixa. Ao passar no concurso, o futuro ministro se somou à sua mulher, Daniela, e ao irmão, Arthur, que já davam aula no mesmo campus.

Por meio de um e-mail anônimo, o trio foi acusado de nepotismo. Em uma reunião do conselho do departamento de Ciências Atuárias em março do ano passado, o irmão de Abraham se queixou da direção da universidade, que não teria levado o caso para a Polícia Federal. Os irmãos Weintraub acreditavam que a acusação tinha motivação política. À época, Arthur era colaborador da então presidenciável Marina Silva, da Rede.

Em 2015, Abraham ingressou com ação contra um aluno da Unifesp por causa de uma mensagem enviada a um grupo de membros da universidade. Em uma discussão sobre a mudança no sistema administrativo do campus, Mateus de Melo Sampaio, do curso de Administração, escreveu que o grupo não tinha “interesse em briguinhas de casal”.

No processo, o professor afirmou ter entendido “que tal alegação tinha conotação preconceituosa ao atribuir pejorativamente a ele condição de ser homossexual” e pediu indenização de R$ 31,5 mil. A juíza Debora Menezes julgou a ação improcedente por entender que a “questão repercutiu como mera brincadeira entre os alunos, sem aptidão para ofender a honra”.

Outra desavença, com professores, se deu durante discussões sobre a reforma da Previdência, em 2017.

— A reitoria fez um debate e publicou diferentes posições sobre a reforma da Previdência. O atual ministro enviou um e-mail nos desqualificando, como se fôssemos um bando de doutrinadores, diz Daniel Feldman, presidente da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp).

O clima na universidade ficou mais tenso em novembro de 2017, quando o então candidato Bolsonaro publicou nas redes sociais um texto assinado pelos Weintraub em defesa da autonomia do Banco Central. Tornava-se pública a colaboração iniciada em abril daquele ano. A aproximação se deu por meio do atual ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que se encantou pela dupla após seminário sobre Previdência no Congresso Nacional.

Dois dos cinco centros acadêmicos (Economia e Relações Internacionais) do campus divulgaram uma nota criticando o apoio dos Weintraub a Bolsonaro. Os irmãos reagiram com mensagem considerada pelos jovens agressiva e irônica. No texto, eles dizem que o CA de Economia deveria “deixar de ser ridículo” e os alunos do curso “deveriam ter vergonha de puxarem a nota média do campus para baixo”.

Ofensas no Facebook

Em uma reunião do departamento de Ciências Atuarias em março de 2018, Arthur relatou que ele e o irmão foram alvo de quatro processos administrativos na universidade por responderem a ofensas de alunos no Facebook. Ele também reclamou não ter obtido respaldo da direção do campus. O irmão do ministro contou que nas mensagens os estudantes falavam em “matar e arrebentar” os professores.

Apesar dos embates, as aulas de Abraham, que antes da academia trabalhou por 18 anos no Banco Votorantim, são elogiadas por ex-alunos.

— Eram bem dinâmicas, consistentes. As questões políticas apareciam de forma mais indireta, diz Ellen Silva, de 26 anos, aluna de Ciências Contábeis.

Atas de oito reuniões de comissões e departamentos do campus de Osasco em que Abraham esteve presente mostram que suas intervenções tratavam sempre de questões pontuais.

Em uma delas, ele perguntou qual seria a posição do departamento referente a uma greve de professores. Também reclamou do horário em que alunos faziam batucada no pátio. Depois que foi revelada a sua colaboração com Bolsonaro, Abraham não compareceu a mais nenhuma reunião.

O Globo

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