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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Amauri Ribeiro, o parlamentar que tomou posse com a mulher sentada em seu colo


Recém-eleito para a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), o deputado estadual Amauri Ribeiro (PRP) é frequentemente comparado por seus eleitores ao presidente Jair Messias Bolsonaro. Ambos têm um vocabulário simples, um jeito direto de falar as coisas, um quê de brucutu de lidar com adversidades e um polêmico histórico de protagonizar cenas de quebra do decoro parlamentar.

 Na comparação, Ribeiro parece sair em vantagem. Envolvido em controvérsias desde quando era apenas um anônimo comerciante em Piracanjuba, município com 25 mil habitantes, a 87 quilômetros de Goiânia, ele acumula em sua biografia episódios de rustiqueza de fazer corar o mercurial Bolsonaro. Como vereador e prefeito da cidade, a coisa foi ainda pior.

Certa vez, partiu para cima de um colega da oposição que tinha deficiência física porque discordou de sua fala, que denunciava funcionários-fantasmas na prefeitura. Em outra ocasião, agrediu um homem numa obra, quando soube que a “peãozada” não estava recebendo. “Eu danei com ele, que era uma bichona doida. O rapaz veio para meu rumo, eu tomei a enxada e contive ele”, disse, antes de pontuar que sabe técnicas de artes marciais. “Coloquei ele no chão, não dei um tapa. Levaram o cara no corpo de delito e até hoje não sei como que ele está vivo, de tantos machucados que apareceram”, ironizou. Muitas vezes, ia tomar satisfação pessoalmente na Câmara Municipal, situação que quase sempre terminava com xingamentos e dedos na cara. No meio do mandato de prefeito, deu uma surra na filha de 16 anos — que denunciou o caso à polícia — ao flagrar no celular fotos íntimas dela com um namorado, para “garantir os bons costumes”. O caso foi parar em todos os jornais da região.

Na sexta-feira dia 1º, uma fotografia do deputado viralizou nas redes sociais. De chapéu, barba por fazer e com a mulher Cristhiane Rodrigues Gomes Ribeiro, de 41 anos, sentada em sua perna esquerda, ele tomava posse para a vaga na Alego. A ÉPOCA, ele fez pouco-caso da repercussão. “Era minha esposa, não era nenhuma prostituta. Uma mulher com quem vivo há quase 25 anos e com quem tive três filhas”, disse. “E outra: é muito comum minha esposa sentar em meu colo em qualquer evento que vou na cidade.”

Aos 46 anos, alto, corpulento, com forte sotaque do interior goiano e palavrório acre, Ribeiro foi eleito com 24.922 votos, sendo o 25° mais votado em Goiás. Impressionou o eleitorado com um discurso antipolítico, de moralidade e “sem pilantragem”, como costuma dizer. “Não sou homem de duas conversas. Toda vida tive nojo da política e continuo tendo. Cada dia tenho mais raiva e nojo. Quem faz o certo é tido como errado.”

Ele contou ter virado político por acaso. Tudo começou em 2008, quando dava entrevista para uma rádio criticando o juiz da cidade. O magistrado lhe deu 24 horas para se retratar, mas o então comerciante deu de ombros. “Não sou cachorro para andar tocado”, disse. Diante da petulância, o juiz o mandou para a cadeia, onde ficou preso por 15 dias. “Eu era o mais novo da cela, com ladrão, assassino, e eu tinha de lavar o banheiro. No fim, eu venci”, disse, lembrando que o magistrado que o prendeu foi aposentado compulsoriamente, acusado de corrupção.

Após a prisão, Ribeiro ganhou popularidade, candidatou-se e foi o vereador mais votado da cidade. No PSDB, partido do então governador de Goiás, Marconi Perillo, Ribeiro era orientado a permanecer na base do chefe do Executivo municipal. “Não podia dar um pio contra o prefeito, um ladrão e vagabundo, então acabei saindo do partido.” Dos vereadores, tornou-se o único da oposição. Apenas um era neutro.

Na Câmara de Vereadores, não havia uma sessão em que Ribeiro não aparecesse com denúncias contra a administração. “Eu denunciava fraudes em licitações, e os vereadores da base defendiam. Quando algum vereador me chamava de mentiroso, eu quase pegava ele pela goela, e isso acabava gerando repercussão.” Para amenizar as críticas, Ribeiro era convidado por interlocutores a falar com o prefeito. “Queriam que eu negociasse. Eu não ia, porque se o prefeito me oferecesse dinheiro eu quebrava a cara dele”.

Sem dar pausas, emendando uma frase na outra, falando alto e xingando adversários, ele explicou a ÉPOCA por que a mulher foi parar em seu colo durante a posse. “Durante, não”, corrigiu, e continuou: “Coloca aí que foram 30 segundos”. Segundo ele, assim que chegou à Assembleia Legislativa na sexta-feira, causou estranheza nos seguranças com seu chapéu — pelo qual desembolsou R$ 180 —, a botina de bico fino e o terno alinhado. Pelo regimento da Casa, é vedado “o uso de gorros, chapéus e bonés, salvo por justificado motivo religioso ou de saúde, desde que devidamente autorizado pelo plenário”. “Como não votaríamos nada, pensei que não tinha problema”, disse. Continuou o relato afirmando que a peça é sua marca registrada, que a usa até dentro de casa. “É minha marca. Quando vou a algum evento, costumam leiloá-los”, contou.  

Via PE Notícias




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