CLIMAGEM

CLIMAGEM

TRINDADE MÓVEIS

TRINDADE MÓVEIS

JAQUES

JAQUES

CHURRASCARIA E HOTEL NILSON

CHURRASCARIA E HOTEL NILSON

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

sábado, 24 de novembro de 2018

'Final do mundo' deixa argentinos apreensivos

Treino aberto em La Bombenera atraiu cerca de 50 mil pessoas/Foto: Juan Mabromata/AFP

A final do mundo. É assim que os argentinos estão tratando o histórico confronto entre River Plate e Boca Juniors, que vai decidir a Copa Libertadores da América de 2018 neste sábado, a partir das 17h (horário do Recife), no Estádio Monumental, em Buenos Aires. A atmosfera do jogo mais marcante da trajetória das duas hinchadas, como são chamadas as torcidas, está em todas as ruas da capital argentina. Dos dois lados o nervosismo é enorme, afinal ninguém aceita perder esta partida para o maior rival de uma vida inteira.

“Me chamo Ariel em homenagem a Ortega. Meu pai é um apaixonado pelo River, assim como eu. Tenho sorte de estar aqui para ver esta final e falarei sobre este dia para meus filhos”, afirma o taxista Ariel Hernandes, 22 anos. Ele garantiu o ingresso assim que o River conquistou a vaga para a finalíssima, mas não esconde a tensão. “Tudo que eu não quero na vida é acordar no domingo com uma derrota justo para o Boca. Se isto acontecer nunca mais irei a um jogo”, diz.

Fanático pelo Boca, o garçom Ernesto Claves, 61, não irá ao Monumental neste sábado. Além de ser uma partida de torcida única, destinada apenas aos torcedores do River Plate, Ernesto está trabalhando. No movimentado restaurante El Olmo, localizado na avenida Santa Fé, onde trabalha há mais de duas décadas, Ernesto vai acompanhar o clássico. “Meu coração vai estar apertado, sofrendo, sem poder torcer junto com meus amigos. Mas tenho certeza que a tradição será mantida e ganharemos ao final dos nossos fregueses tão queridos”, ironiza.

A prefeitura de Buenos Aires espalhou cartazes pela cidade dizendo: “A Libertadores Ficou na Argentina”. Na imagem dois garotos abraçados, com as camisas dos times. Apesar do clima festivo e agitado, as autoridades da capital estão preocupadas com a final. Na última quinta o Boca fez um treino aberto ao público em La Bombenera que atraiu cerca de 50 mil pessoas. As ruas ao redor do estádio e outras na região do centro foram fechadas e o trânsito virou um caos.

A movimentação do futebol ocorre ao mesmo tempo em que estudantes, funcionários e professores protestam contra a reforma universitária proposta pelo presidente Maurício Macri e durante o Congresso Latino Americano de Ciências Sociais, que atraiu mais de 8 mil turistas à Argentina. “Sou torcedor do San Lorenzo, assim como o papa Francisco. Não simpatizo com nenhum dos dois, mas como alguém precisa ganhar, o que posso dizer é que os torcedores do Boca são muitíssimo chatos. E o pior, são muitos!”, comenta o motorista de Uber Julian Flores.

*Aquiles Lopes é jornalista e está em Buenos Aires para participar da Clacso

Via FolhaPE