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domingo, 18 de novembro de 2018

Com Bolsonaro, SBT reforça tradição de agrados a políticos


Invenção de Silvio Santos nos anos 1980, o programa Semana do Presidente inaugurou história de agrados que o empresário e apresentador se notabilizou por fazer aos governantes do país. 

"Silvio é assim, um diplomata", relembra o jornalista Gilberto Dionísio, que assinou alguns roteiros do boletim, com notícias positivas da Presidência, que ia ao ar aos domingos, em intervalo do Programa Silvio Santos. 

Dionísio trabalhou nos primeiros anos da atração, de 1981 a 1988. Ele conta que o boletim era feito pelo próprio departamento de jornalismo a partir do material que chegava de Brasília. Restringia-se a um roteiro ufanista, lido pelo então locutor oficial do canal, Lombardi, morto em 2009, destacando fatos positivos da agenda presidencial.

Em agosto de 1992, um mês antes do início do processo de impeachment, o SBT mostrou a celebração dos 43 anos de Collor, que era ali “abraçado” por “populares, admiradores e artistas” como os sertanejos Leonardo e Chitãozinho. O boletim desejava “sensibilidade e sabedoria” ao governante.

Em 1997, último ano do programa, o SBT assim retratou Fernando Henrique Cardoso: “Confiante e otimista, o nosso presidente administra com serenidade e trabalho o Plano Real, plano este que dará ao povo brasileiro dias de prosperidade e a vitória sobre todos os obstáculos que há muito tempo o Brasil enfrenta”.

Dionísio conta que não se lembra de interferência do patrão ou do governo nos programas ou mesmo de contrapartidas publicitárias. “Era independente do governo, ele só queria fazer um agrado.” 
Silvio Santos certa vez disse que se considerava um “office boy de luxo do governo”, por ter como negócio a radiodifusão, uma concessão pública.

"Faço aquilo que posso para ajudar o país e respeito o presidente, qualquer que seja o regime”, disse à Folha em 1988, em entrevista resgatada pelo jornalista Mauricio Stycer, colunista da Folha, no livro “Topa Tudo por Dinheiro - As Muitas Faces do Empresário Silvio Santos”.

"O SBT é uma casa em que tem que falar sempre as coisas boas. Para a semana do presidente seria mais a situação de tudo que o presidente fazia de bom”, conta o roteirista.

O Semana do Presidente começou em 1981 como forma de retribuição de Silvio Santos pela autorização do governo Figueiredo, no apagar das luzes da ditadura, para que pudesse adquirir os canais que formaram o SBT. A primeira equipe contou com Gugu Liberato, ainda longe da fama.

Blogs especializados em televisão repercutiram nos últimos dias o rumor de que o SBT ressuscitaria o programa no governo de Jair Bolsonaro (PSL). A emissora nega.

Bolsonaro pode até não ganhar uma Semana para chamar de sua, mas já anda aparecendo positivamente na emissora nos últimos dias. No sábado (10), entrou ao vivo no Teleton, show beneficente para arrecadar recursos. Silvio elogiou o governo e a nomeação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça.

No dia 6 deste mês, Ratinho defendeu Bolsonaro em seu programa e citou nominalmente a GloboNews ao criticar a imprensa. “Tudo quanto é ministro que o Bolsonaro convida, tem sempre alguns jornalistas debochando”, disse o apresentador, que já recebeu Lula em sua atração e se referiu a ele como o político "que ficou na história por ser o presidente mais popular do Brasil".

Também no dia 6, o SBT deixou de exibir a vinheta “Brasil, ame-o ou deixe-o”, horas após levar ao ar a inserção com o slogan da época da ditadura. O canal recebeu uma onda de críticas.

O SBT depois informou: “A emissora cometeu um equívoco de não se atentar que este bordão foi forte na época do regime militar”. O blog Telepadi, da Folha, informou na quarta (7) que, no SBT, “quem bem conhece o chefe” aposta que Silvio quis se mostrar alinhado ao presidente eleito.

Em 2017, o canal exibiu outra série de vinhetas, daquela vez em apoio à proposta de reforma da Previdência defendida pelo presidente Michel Temer (MDB). “Você sabia que se não for feita a reforma da Previdência você pode deixar de receber seu salário?”, alarmava um locutor do canal. 

O presidente ganhou espaço no canal. Além de entrevistas a Ratinho, participou do Programa Silvio Santos, quando estendeu uma nota de R$ 50 ao apresentador, famoso por arremessar aviõezinhos de dinheiro ao auditório.

Em fevereiro do ano passado, Temer assinou os decretos que autorizaram a transferência da concessão do SBT de Silvio Santos para suas filhas.

"Se os militares se reunirem e quiserem me apoiar para ser o presidente da ditadura da extrema direita eu também posso topar porque, como minha mulher diz, eu sou autoritário e graças a isso conduzi minhas empresas a bons resultados”, disse Silvio nos anos 1980, em entrevista registrada por Stycer em seu livro. 

Em 1989, duas semanas antes do primeiro turno da eleição, Silvio Santos se lançou à Presidência, mas o TSE barrou sua candidatura.

 Por: Gabriela Sá Pessoa - Folhapress