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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Com vitória do PSB em Pernambuco, PT sonha com apoio nacional do partido


A eleição no primeiro turno de Paulo Câmara em Pernambuco, o segundo maior colégio eleitoral do Nordeste, coroou a estratégia política costurada entre PT e PSB  na véspera da eleição. Para evitar que o PSB, partido de Câmara, apoiasse Ciro Gomes (PDT) na esfera nacional, os petistas rifaram sua candidatura própria no Estado, a de Marília Arraes, que aparecia em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Com isso, evitou que Ciro tivesse mais tempo de TV e um palanque forte no Nordeste. O PSB, por sua vez, conseguir eleger Câmara já no primeiro turno, com 50,70% dos votos válidos.

Com a vitória do aliado em Pernambuco, a cúpula do PT espera garantir um apoio formal a Fernando Haddad (PT). Os petistas planejam cortejar o PSB, que declarou neutralidade no primeiro turno da disputa nacional, porque consideram que há uma “fatura moral” a ser cobrada da legenda na reta final. Um apoio do PSB poderia dar aos petistas um palanque em São Paulo, maior colégio eleitoral do país (e que votou massivamente em Bolsonaro), tendo em vista que Márcio França irá disputar o segundo turno com João Doria (PSDB). O movimento, entretanto, é difícil, já que a rejeição ao PT é alta em São Paulo, o que pode afastar França da estratégia. 

Apesar do apoio do PT no Estado mais lulista do país, a campanha de Paulo Câmara foi marcada pela ausência dos seus principais cabos eleitorais na campanha. Seu material levava a imagem dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos, ambos já falecidos, e do ex-presidente Lula, preso desde abril acusado de corrupção. Assim, o candidato do PT à presidência Fernando Haddad foi o único apoio que apareceu, de fato, ao lado de Paulo Câmara. Mesmo assim, em um ato político no Recife, no último dia 23, Haddad foi vaiado no palco por parte da militância petista ao mencionar o governador, que estava ao seu lado. Muitos dos pernambucanos que votam no PT não perdoam as negociatas que sacrificaram a candidatura de Marília Arraes.

Paulo Câmara esteve, desde o início, na liderança da disputa seguido de Armando Monteiro. Ambos mantiveram durante toda a eleição uma grande distância dos demais candidatos. Na véspera do pleito, os levantamentos apontavam para a vitória de Câmara no primeiro turno, tanto pelo Ibope, quanto pelo Datafolha. Dani Portela, do PSOL, ficou em terceiro lugar, com pouco mais de 5% dos votos.