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sábado, 22 de setembro de 2018

Dias decisivos para a corrida às urnas


Estamos a 15 dias da eleição, momento em que as pesquisas de intenção de voto colocam o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) na liderança, seguido por Fernando Haddad (PT), o que sinalizaria um provável segundo turno. Alguns institutos, por sua vez, apontam empate técnico do petista com Ciro Gomes (PDT), pondo em dúvida qual cenário passará à fase seguinte. Em 2014, a previsão da corrida ao Palácio do Planalto se inverteu na reta final, como em pleitos anteriores, devido a fatores de última hora. Tendo em conta a fatia expressiva daqueles que decidem o voto aos 45 do segundo tempo, esse ambiente de incerteza obriga o eleitor a redobrar a atenção sobre o que as pesquisas aferem.

Há uma série de casos emblemáticos em que o quadro que se manteve ao longo da campanha se inverteu na reta final. Em 2014, faltando menos de 15 dias para as eleições, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) liderava as pesquisas, seguida por Marina Silva (Rede), à época no PSB, e o candidato do PSDB, Aécio Neves, estava a uma distância de 10 pontos de Marina. As urnas levaram Dilma e Aécio para o segundo turno, com o tucano levando uma diferença de 10 pontos à frente da postulante do PSB, que sofreu pesada desconstrução.

Diante desse exemplo, os candidatos que estão na dianteira das pesquisas têm ciência de que qualquer erro pode ser fatal para a corrida ao segundo turno, o primeiro ponto de corte. Bolsonaro teve uma lenta progressão depois que sofreu um atentado em Juiz de Fora (MG), no dia 6, saindo de 20% para 28%. Ciro estava embolado na segunda colocação, empatado com Marina Silva e Geraldo Alckmin (PSDB), mas acabou ultrapassando esses concorrentes, chegando a se firmar, momentaneamente, na segunda colocação, com 13%.

O fato mais recente foi a substituição do ex-presidente Lula (PT), que teve a candidatura impugnada e passou o bastão para Haddad. O ex-prefeito de São Paulo começou a sua campanha na casa dos 5% e rapidamente chegou a 19% das intenções de voto, segundo a última pesquisa do Ibope, no dia 18. Foi o seu melhor momento, onde Haddad - o candidato de Lula - esteve, inclusive, isolado na vice-liderança. Todavia, os dados mais recentes do Datafolha, do dia 20, posicionam o candidato petista, 16%, numa condição de empate técnico com Ciro Gomes, 13%. Este é o ponto em que nos encontramos atualmente.

O cientista político Alberto Carlos de Almeida, autor do livro "A Cabeça do Brasileiro", reforça que as pesquisas não detem poder sobre o resultado das eleições, elas apenas informam o momento. "O que pode definir ou modificar o quadro atual, geralmente, são fatos políticos que criem impacto midiático. De uma forma geral, os candidatos já vão acumulando, até agora, um certo capital político, mas se eles falam alguma coisa forte, esse agora é mais ouvido", alega.

Relembrando o episódio da virada da corrida presidencial em 2014, Ciro Gomes foi o primeiro a compreender o momento, quando divulgou um vídeo alertando o eleitorado para que não se deixasse guiar pelos institutos de pesquisa. "Ele só não disse que em 2014 a Marina, nesse momento, estava caindo e o Aécio subindo. (Na atual eleição) os dois que estão à frente, estão subindo e isso é uma diferença importante", verifica Alberto. 

Bolsonaro, que tem um eleitorado fiel, começou a sentir o impacto do momento, pela repercussão ruim das declarações dadas pelo seu conselheiro econômico, Paulo Guedes, com a possibilidade de reeditar o CMPF. Para o cientista político Humberto Dantas, na eleição da Prefeitura de São Paulo de 2012, o candidato Celso Russomano (PRB), que liderava a corrida, foi prejudicado por um fator semelhante, uma proposta que constava no seu programa e que foi mal aceita pelo eleitor paulista. Faltando uma semana para o pleito, Haddad, que, segundo as previsões, não chegaria ao segundo turno, acabou ultrapassando Russomano e venceu o candidato do PSDB, José Serra, no segundo turno.

Ciro tenta capitalizar eleitores antipetistas e antibolsonaristas, incorporando uma espécie de terceira via à polarização. A fragilidade do PDT, cria dificuldades a que ele ultrapasse a barreira. Haddad detém mais tempo de TV e tem Lula como cabo eleitoral, enquanto Bolsonaro é o fenômeno "anti-petista" e "anti-sistema". "Existe uma polarização nunca vista. Uma parcela da população quer qualquer coisa menos Bolsonaro, outra quer qualquer coisa menos o PT. Vendo esse desenho, alguns eleitores já estão antecipando o voto de segundo turno. É o que Ciro luta para evitar que aconteça", avalia o cientista político Leon Victor Queiroz.

Por: Ulysses Gadêlha/Via FolhaPE