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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Enquetes em redes sociais não têm valor científico e não valem como pesquisa eleitoral

A propagação de resultados de enquetes feitas em redes sociais, mesmo que realizadas com uso de ferramentas de plataformas como o Facebook, contribui para a desinformação. Essas consultas não têm rigor científico e não substituem as pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um exemplo recente foi compartilhado pela página do Facebook Mais Saúde Menos Corruptos, que publicou um infográfico apontando o candidato Jair Bolsonaro (PSL) com mais de 86,57% das intenções de voto, seguido pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva (8,21%), pelo tucano Geraldo Alckmin (2,99%), pelo pedetista Ciro Gomes (1,49%) e pela candidatada da Rede, Marina Silva (0,75%). 

A fonte é uma página no Facebook, que saiu do ar nesta segunda (27), chamada de Instituto de Pesquisa Oficial do Face. O projeto Comprova, coalizão de 24 organizações de mídia brasileiras, dentre elas a Folha, que visa identificar, checar e combater rumores, manipulações e notícias falsas sobre as eleições de 2018, entrou em contato o proprietário da página, Sylvio Montenegro, que se apresenta como diretor do instituto — na rede social, o homem, que tem mais de 15 mil seguidores, se diz autônomo. 

Para chegar aos resultados apontados na publicação em questão, Montenegro utilizou uma metodologia sem qualquer base científica ou amostragem: dentre cinco candidatos apresentados, os internautas deveriam escrever o nome do favorito nos comentários. Segundo Montenegro, foram cerca de 500 votos. Ele afirma que os institutos de pesquisa precisam olhar para as redes sociais.

Para outro levantamento, também feito por Montenegro, desta vez somente entre Bolsonaro e Lula, foi utilizada a ferramenta de criação de enquetes do Facebook que só permite duas opções de respostas. Segundo ele, foram mais de 1 milhão de votos, que também colocaram Bolsonaro na frente. 

Os institutos de pesquisa fazem a chamada estratificação da amostra de eleitores. Ou seja, selecionam um grupo de pessoas que representa o eleitorado por sexo, faixa etária, escolaridade, renda e região em que mora. A montagem da amostra da pesquisa é feita com dados oficiais do IBGE e do TSE.

Segundo o TSE, a divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de R$ 53.205,00 a R$ 106.410,00.

É possível saber, no site do TSE, se uma pesquisa foi registrada. Confira o passo a passo aqui. 

MANUAL PARA NÃO PROPAGAR FAKE NEWS
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Faça uma busca na internet: muitos casos já foram desmentidos;
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Via FolhaPE