CLIMAGEM

CLIMAGEM

TRINDADE MÓVEIS

TRINDADE MÓVEIS

JAQUES

JAQUES

CHURRASCARIA E HOTEL NILSON

CHURRASCARIA E HOTEL NILSON

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

sábado, 21 de julho de 2018

Bruno Araújo externa mal-estar e devolve indicação ao Senado

A carta foi distribuída apenas a membros do PSDB. Mas acabou ganhando eco. Tem data de 20 de julho de 2018, quando começou a circular, já à noite. Nela, o presidente estadual do tucanato em Pernambuco, Bruno Araújo, quebra o silêncio que vinha adotando nos últimos dias e externa incômodo em relação à condução do processo dentro da frente Pernambuco Vai Mudar. Nas entrelinhas, ele dá a entender que o destinatário é o senador Armando Monteiro Neto, que encabeça a chapa da oposição. 

No final do documento, Bruno assinala o seguinte: "Devolvo a meu Partido a honrosa indicação que recebi para que defina o melhor caminho para continuar ajudando a melhorar a vida das pessoas". Refere-se à indicação para ocupar a segunda vaga do Senado na chapa das oposições. Aliados registram que "a condução do processo de composição" gerou atrito.

Antes de informar que está declinando, Bruno explica: "Ficou evidente a dificuldade levantada por esse conjunto em dar seguimento ao meu nome para uma das vagas ao Senado, sob argumentos que me reservo o direito de discordar, pois eram de conhecimento de todos desde nossas primeiras tratativas".

Os argumentos aos quais se refere Bruno têm relação com a participação dele na gestão Michel Temer. Nos bastidores, o assunto circulou nos últimos dias entre parlamentares. Passou-se a fazer uma conta, segundo pessoas envolvidas no processo revelam em reserva, de que "dois ministros de Temer" na chapa seria muito. 

Bruno foi ministro das Cidades do governo Michel Temer, tachado por Armando, ontem, em entrevista à rádio local, de "ilegítimo". Como Bruno, o deputado Mendonça Filho (DEM), que ocupa a primeira das vagas do Senado, também foi titular de uma pasta: Educação. Por essa atuação, Armando elogiou o democrata na mesma entrevista, como também vinha dispensando elogios ao tucano. Mas pessoas próximas a Bruno advertem: "Ninguém vive só de elogios". 

O posicionamento do dirigente do tucanato se dá após Armando ter feito uma visita ao ex-presidente Lula em Curitiba junto com outros senadores. Mas ocorre também na esteira de um imbróglio interno, após o qual o senador petebista chegou a endurecer tom e disparou: "Não sabia que se definia chapa pelos jornais. Como candidato a governador, com a delegação que recebi do conjunto desde a consolidação da formação da frente Pernambuco Vai Mudar, sou eu que coordeno o processo. Salvo se me for retirada essa delegação". 

A mensagem foi dada por Armando após Bruno Araújo e o deputado André Ferreira (PSC) -que declinou da indicação para o Senado- terem debatido a ida do vereador Fred Ferreira para vice, num arranjo que renderia a Bruno a vaga do Senado.

Na carta, o deputado tucano critica "o congestionamento político que existe aqui de apoio a um único candidato presidencial". Refere-se ao fato de o governador Paulo Câmara, assim como a pré-candidata ao Governo do Estado, Marília Arraes, apoiarem Lula, enquanto Armando também acena ao petista.

"Sigo também firme para defender um projeto nacional que precisa oferecer aos pernambucanos outra alternativa ao congestionamento político que existe aqui de apoio a um único candidato presidencial, que não deve ser a única alternativa oferecida a um Estado de histórica e rica diversidade política como o nosso", arremata Bruno Araújo. E encerra: "Pernambuco nunca faltou ao Brasil...". A expressão foi usada por ele ao dar o voto 342 a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).


O texto não fala em rompimento, mas expõe o incômodo latente do tucano com as resistências ao seu nome para integrar a chapa majoritária e abre uma fissura no grupo das oposições. O PSDB é o partido com maior tempo de TV do conjunto Pernambuco Vai Mudar e havia aberto mão da vaga do Senado em prol de atrair outra sigla para o conjunto, que foi o PSC, do deputado André Ferreira. No entanto, após ter processo no qual era investigado, arquivado, recentemente, no STF, Bruno resolveu botar o assunto na mesa e começar a trabalhar para concorrer ao Senado, plano do qual abre mão nessa carta, assinada por ele na sexta-feira (20).

Via FolhaPE/Política