CLIMAGEM

CLIMAGEM

TRINDADE MÓVEIS

TRINDADE MÓVEIS

JAQUES

JAQUES

CHURRASCARIA E HOTEL NILSON

CHURRASCARIA E HOTEL NILSON

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Denúncias e crise do diesel aumentam pressão sobre presidente da Petrobras. Demissão é cogitada


O presidente da Petrobras, Pedro Parente, tem dito que não aceita alterar a política de preços de combustíveis da estatal, baseada no preço internacional do petróleo e na variação do câmbio. Em meio à greve dos caminhoneiros contra a alta do diesel – já no décimo dia nesta quarta-feira (30), embora em vias de normalização –, o gestor não só manteve o modelo como já reajustou em 0,74%, hoje, o preço médio do litro da gasolina nas refinarias. Resultado: enquanto filas de condutores se acumulam nos postos de combustível Brasil afora, avolumam-se as denúncias e reclamações contra a gestão de Parente, no Congresso ou fora dele.

Um interlocutor constante do Palácio do Planalto disse que, embora a situação de Parente não seja propriamente confortável, o presidente Michel Temer (MDB) deve mantê-lo à frente da Petrobras até onde a crise permitir. Para esse governista, no entanto, os próximos dias dirão se o gestor continuará com o respaldo do Executivo. Indicado para o comando da estatal pelo PSDB – partido que, em boa medida, ainda sustenta a governabilidade do emedebista –, Parente tem recebido a artilharia oposicionista porque o país está às vésperas da eleição, diz o parlamentar, mas os congressistas de fato aliados ao governo lhe garantirão apoio.

“Acho que o governo vai procurar equilibrar a política de preços. O perigo dela é a volatilidade do câmbio, porque é aí que está ‘pegando’. Não é nem o preço do barril em nível internacional”, avaliou o interlocutor. “O que não se pode é represar o preço, como ocorreu no governo passado, por mais de ano.”

Mas, nos bastidores, são crescentes os rumores de que estão contados os dias de Parente no comando da estatal. No Congresso, parlamentares da oposição, em peso, e até membros da base aliada de Temer, que sustenta Pedro Parente na Petrobras, veem na atual política de preços o principal fato motivador da revolta dos caminhoneiros. A paralisação tem provocado os mais diversos danos socioeconômicos em razão da alta dos combustíveis, o que deu força à possibilidade de demissão de Parente. Mas, mesmo diante do quadro caótico, o atual comando da estatal segue dando as cartas.

Ontem, em entrevista à TV Brasil, Temer deu uma declaração que contribuiu para aumentarem as especulações sobre a situação de Parente, que condiciona sua permanência na Petrobras a não interferência do governo na política de preços. O presidente afirmou que “nós não queremos alterar a política da Petrobras”, mas depois acrescentou: “Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado”. Além das especulações, o efeito da fala foi prático: depois de encerrar o dia com forte valorização na sessão desta terça-feira (29), recuperando-se das perdas da véspera, as ações da petrolífera voltaram a registrar significativa queda hoje, encabeçando a lista de índices negativos do Ibovespa.

Ação suspensa por R$ 3 bi

A reação tem crescido à medida que aumenta o preço na bomba de abastecimento, e não só a política de preços de Parente tem sido contestada. Ontem (terça, 29), o senador Otto Alencar (PSD-BA) encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um requerimento (leia a íntegra), devidamente aprovado pelos pares, em que solicita informações sobre um acordo recentemente firmado entre a Petrobrás e investidores americanos.

No acerto fechado em Nova York, que veio a público no início deste ano, suspende-se ação coletiva iniciada por um grupo de acionistas e detentores de títulos da petrolífera depois dos prejuízos decorrentes dos desvios de recursos descobertos pela Operação Lava-Jato. Como contrapartida, a Petrobras aceitou pagar US$ 2,95 bilhões a tais investidores, em duas parcelas de US$ 983 milhões e outra de US$ 984 milhões.

“Foi o quinto maior acordo envolvendo ação coletiva por perda com ações da história […] a Petrobras fechou uma série de acordos individuais com investidores institucionais [desde 2014, quando a Lava Jato foi deflagrada]. O pagamento dos US$ 2,95 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) terá impacto no resultado da companhia no quarto trimestre de 2017. O valor equivale ao dobro do lucro acumulado pela empresa nos três primeiros trimestres do ano passado. Representa também 65% de tudo o que a empresa arrecadou até o momento na segunda fase de seu plano de venda de ativos”, reclama o requerimento.

Via PE Notícias