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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Polícia Civil de Pernambuco gasta R$ 6 milhões ao ano só com aluguel de delegacias


O bairro de Afogados, na Zona Oeste do Recife, não figura na lista dos mais caros da cidade, mas é lá onde está o aluguel mais oneroso da Polícia Civil. Ele fica na Rua São Miguel, nº 268 (na antiga fábrica da Souza Cruz) e custa “módicos” R$ 96.842,13 ao mês, ou seja, R$ 1.162.105,56 por ano. No endereço funciona o Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), composto por quatro delegacias: Estelionato, Roubos e Furtos, Furto de Veículos e Roubo de Carga. Detalhe: para entrar em uso, em abril de 2012, o imóvel passou por uma reforma que custou mais de R$ 1 milhão. Ao todo, a Polícia Civil gasta cerca de R$ 6 milhões ao ano só com aluguel, conforme levantamento feito pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Pernambuco (Adeppe).

O prédio de 6.263,49 metros quadrados não é o único de valor exorbitante no órgão. Segundo o levantamento da Adeppe, há muitos imóveis alugados pela instituição com preços altíssimos. Entre os mais caros, estão o depósito de bens apreendidos pela polícia, no Curado (R$ 81,8 mil); o complexo policial de Paulista (R$ 39,6 mil); a Delegacia do Cabo de Santo Agostinho (R$ 12,3 mil); e o complexo de Santa Cruz do Capibaribe (R$ 12 mil).

Mas o que a Adeppe aponta como mais grave é o fato de a maioria dos imóveis não ser adequada para o uso a que se destina. “O caso mais absurdo é o da Delegacia de Carpina (na Zona da Mata). Ela funciona em uma casa sem qualquer segurança, já foi arrombada duas vezes (e nas duas teve as armas que estavam apreendidas roubadas) e recentemente o telhado caiu. Ainda assim o aluguel custa R$ 7.740, quando casas do mesmo tipo no local não passam de R$ 1 mil”, denuncia o presidente da entidade, Francisco Rodrigues. E provoca: “A casa é alugada a familiares do ex-presidente da Câmara Municipal, Tota Barreto, atualmente preso por esquemas de corrupção”. 

O delegado defende melhor planejamento para construção de imóveis e descontinuidade gradativa dos aluguéis. “São quase R$ 6 milhões ao ano, é muito dinheiro e muita falta de gestão. Só com o aluguel do Depatri nesses cinco anos são mais de R$ 5 milhões, daria para construir um prédio muito melhor. O Estado tem condições de desapropriar terrenos para isso”.

Francisco Rodrigues insiste na necessidade de se projetar imóveis mais adequados à função. “As delegacias precisam ter um projeto próprio, que dificulte o acesso e um possível resgate de presos, bem como garanta mais segurança ao policial. As antigas Delegacias de Roubos e Furtos e Furtos de Veículos, em Tejipió, eram projetadas dessa forma e em vez de serem reformadas foram abandonadas”, lamenta.

A imprensa já registrou atrasos de aluguel em Buíque, no Agreste, e em Petrolina, no Sertão. Em março, uma faixa foi colocada em frente ao casarão onde funcionava a delegacia de Buíque dizia: “Muitos aluguéis atrasados/Paguem meu dinheiro e desocupem”. Na ocasião, a polícia disse que o débito seria quitado em poucos dias.

RESPOSTA

A Polícia Civil não repassou ao JC informações solicitadas sobre valores e número de imóveis alugados. Por meio de nota, afirma que “vem adotando a prática de adquirir imóveis próprios e devolver os alugados”, tendo transferido dez delegacias para casas do Estado ou cedidas pelas prefeituras, nos últimos meses, economizando mais de R$ 700 mil por ano. Cita como exemplo imóveis dos municípios de Caruaru e Petrolina. O órgão defende que os aluguéis atuais “estão dentro dos valores de mercado”. E destaca: “No município de Santa Cruz do Capibaribe, por exemplo, o imóvel abriga quatro delegacias”. 

Embora não dê previsão, a instituição informa que o imóvel da antiga Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos será reformado e ocupado por equipes do Departamento de Repressão ao Narcotráfico. Diz também que “investimentos significativos estão sendo feitos e, nas próximas semanas, seis delegacias estarão em pleno funcionamento em novas e modernas estruturas, no Agreste (cinco em Caruaru) e no Sertão do Pajeú (a Delegacia da Mulher em Afogados da Ingazeira)”.

A nota ainda fala de reparos e intervenções rotineiras para melhorar a estrutura e equipamentos da Polícia Civil, além dos resultados obtidos pelas equipes. “São mais de 14 mil presos este ano, sendo 1,4 mil suspeitos de homicídios, um recorde de produtividade”, registra.

Via PE Notícias