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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Personal tira "Black is beautiful" da campanha de papel higiênico preto


As definições de "tiro que saiu pela culatra" foram atualizadas nesta segunda-feira (23.10) com a nova campanha da marca Personal para o lançamento do "primeiro papel higiênico preto do mercado brasileiro". Estrelada pela atriz Marina Ruy Barbosa, que aparece envolta no novo produto, a campanha poderia ter sido apenas vítima apenas de gozação se a equipe publicitária não tivesse tido a infeliz ideia de utilizar a frase "Black is beautiful" no slogan. Pegou mal e, após a chuva de reprovações, a marca apagou todas as referências.

A questão é histórica: "Black is beautiful" é o movimento cultural iniciado por negros estadunidenses na década de 1960 que, anos mais tarde, ganhou o mundo. "É uma coisa que debatemos constantemente: o cuidado com as palavras e as diversas conotações que elas podem soar. Não quero acreditar que a concepção tenha motivação racista, mas, com certeza, faltou um trabalho mais elaborado de pesquisa histórica", comenta o especialista em Marketing e professor Valdênio Rodrigues.

Obviamente que a história viralizou, e as críticas fizeram a marca retirar a frase do slogan. Em sua conta no Instagram, Marina Ruy Barbosa fechou os comentário para a postagem da campanha, tamanha repercussão; no Youtube, o título de vídeo foi modificado (veja ao fim do texto).

Rodrigues alerta para a velocidade da informação nas redes, que potencializam, para o bem e para o mal, a comunicação. "Tecnicamente, a cor preta remete ao sofisticado. A psicodinâmica das cores aponta neste sentido, mas a infelicidade está na utilização de um 'mote' já existente, consolidado e com uma forte carga emocional, social e cultural", acrescenta o especialista.

Em meio às críticas, as piadas e a pergunta: por que lançar um produto desses? "É estranho, eu não compraria, mas todo produto novo, antes de ser lançado no mercado, deve passar por pesquisa de aceitação", comenta Rodrigues. Mesmo com pesquisas que levam ao que seria o "modelo ideal", não significa que a novidade será um sucesso de mercado. 

De saída, a situação pode custar bastante à marca na opinião do professor. "Eles acabaram despertando o descontentamento de diversos grupos de interesse. Talvez a polêmica faça parte da estratégia da agência (a Neogama) para o lançamento do produto, mas é sempre muito arriscado mexer com assuntos que envolvam etnia, religião e cor".

Assista ao vídeo da campanha que teve o título alterado:


Folha-PE