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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Assassinatos de jornalistas no Brasil se tornam tema de documentário


Em 2016, o Brasil ocupava a quarta posição mundial na lista de países que registaram mais mortes de jornalistas, segundo dados do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa. O País teve quatro assassinatos ao longo do ano, atrás apenas de México (12), Síria (7), Iêmen (5) e empatado com o Iraque (4). Essa realidade cruel com os profissionais da imprensa é retratada no documentário Quem matou? Quem mandou matar?, que será lançado neste sábado (28).

O projeto, que também rendeu uma série de reportagens, foi produzido pelos jornalistas Bob Fernandes, Bruno Miranda e João Wainer, pelo programa Tim Lopes, da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Os jornalistas viajaram para quatro Estados brasileiros para contar a história de seis profissionais mortos no País: Gleydson Cardoso de Carvalho, Djalma Santos da Conceição, Rodrigo Neto de Faria, Walgney Assis de Carvalho, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues e Luiz Henrique Rodrigues Georges.

Para começar a produção do documentário, Fernandes utilizou a lista do CPJ (Committee to Protect Journalists, Comitê para a Proteção de Jornalistas em tradução livre), que enumera 39 jornalistas assassinados. A partir desse banco de dados, selecionou as histórias que seriam relatadas no documentário. Os critérios utilizados para a escolha foram o local onde o crime aconteceu — Camocim (CE), Ponta Porã (MS), Conceição da Feira (BA) e Ipatinga (MG) — e o tipo de caso. O primeiro passo foi a pré-produção, realizada pelo jornalista Lucas Ferraz. 

"Tendo isso em mãos, eu chegava à cidade e investigava, levantava a história para contar", explica Fernandes.

O jornalista conta que a produção do documentário começou em março deste ano. Segundo ele, o grupo fez viagens com duração de uma semana para conseguir levantar a maior quantidade de informações possíveis. Na busca pelas histórias, encontrou algumas obstáculos.

"As pessoas chegam a um ponto que querem esquecer, por medo ou porque não aguentam aquilo. Todo mundo tem medo de falar", diz.

Depois das viagens, continuou em contato com as fontes para atualizar possíveis avanços nos casos investigados. Em Camocim, por exemplo, soube que o juiz do caso decretou a prisão de mais dois envolvidos no crime. Questionado porque o Brasil ainda tem alta criminalidade contra jornalistas, Fernandes se apoiou nas estatísticas e destacou que o País tem índice de resolução de crimes inferior a 10%. Também citou a ocorrência há quase 60 mil mortes violentas por ano.

— Por que seria diferente com os jornalistas? Nesse ambiente, você não tem punição. A diferença é que a morte do jornalista é como se fosse um alarde, porque as pessoas estão acostumadas a ver os jornalistas a falarem sobre os assassinatos.

Jornalismo nos dias de hoje

Para Fernandes, o papel clássico do jornalista continua sendo o de informar o público adequadamente. No entanto, as mudanças no cenário da profissão trouxeram novos desafios para o dia a dia do profissional.

— Hoje ele tem um acréscimo de função. São tantas informações que você tem que ter uma espécie de filtro para juntar aquilo tudo e ter uma informação que chegue mais redonda. Acho que uma das funções principais hoje é traduzir aquilo tudo.

O documentário será exibido neste sábado (28) no Caixa Belas Artes, localizado na rua Consolação, 2423, às 16h30. Não é preciso se inscrever e a entrada é livre, mas os interessados estão sujeitos à lotação do espaço.

Via PE Notícias