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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Área arqueológica no Brejo da Madre de Deus pode ser tombada

Foto: Fonte: Acervo Fundarpe, 2013

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) se reúne nesta quinta-feira (26.10), às 10h, para discutir o pedido de tombamento do perímetro dos sítios arqueológicos Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, localizados no município Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano, a 199 quilômetros do Recife. Interligados, os dois sítios constituem uma necrópole pré-histórica onde foram achados, na década de 1980, 86 sepultamentos, alguns em bom estado de conservação, com datações que variam de 11.000 a 1.000 anos antes do presente.

A abertura do processo de tombamento é antiga. Foi solicitada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) em 29 de julho de 1985 e teve seu edital publicado no Diário Oficial do Estado em 9 de agosto daquele mesmo ano. Porém, só agora tem seu pedido analisado. Do litoral ao Sertão, há mais de 500 sítios no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

De acordo com o atual relator do processo, o arqueólogo e conselheiro Plínio Victor de Araújo, só na região do Planalto da Borborema existem centenas de sítios arqueológicos semelhantes, 51 deles no Brejo da Madre de Deus. A importância de se tombar a região em seu entorno deve-se à necessidade de manter suas características originais. “Você vai tombar uma área que vai preservar uma ambiência em que aquele povo viveu”, explicou. “A ideia é que futuramente ali se construa um museu.”


Os sítios arqueológicos, por princípio, já são tombados. Nos casos de Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, tratam-se de locais ritualísticos, utilizados pelos grupos pré-históricos para realizar cerimônias fúnebres. “É um abrigo sobre rocha - menos profundo do que uma caverna - com grafismos geométricos (pinturas rupestres)”, disse Araújo.

As características dos restos mortais dos indivíduos pré-históricos recolhidos na região - que vão de recém-nascidos a adultos - são consideradas de bom estado de conservação por conter esqueletos completos, alguns com restos de cabelo e de pele, com massa fecal dentro da bacia e até enrolados em esteira de palha. Apesar das peculiaridades, não são achados surpreendentes no contexto da arqueologia no País. “O trágico nessa história é que se trata de uma coisa tão presente na arqueologia e a sociedade que vive ali não sabe disso”, lamentou Araújo.

Enterramento identificado na Furna do Estrago - Crédito: Fonte: Revista Pesquisa - P.I. Schmitz

Pela quantidade de descobertas, e até mesmo pela iniciativa de tombamento de áreas de entorno dos sítios arqueológicos, o ideal seria que os achados ganhassem museus em suas regiões de origem. Quanto a isso, porém, o arqueólogo se mostra pessimista. “Muito mal a gente consegue recursos para pesquisa. Quanto mais para divulgação”, afirmou. Enquanto isso, os achados permanecem acumulados nos laboratórios das universidades, a exemplo dos itens coletados em Pedra do Letreiro e Furna do Estrago, que se encontram na Unicap.

Vista da cidade de Brejo da Madre de Deus, com implantação entre as Serras da Prata, do Estrago e do Amaro - Crédito: Acervo Fundarpe, 2013

Fonte: Folha-PE