CLIMAGEM

CLIMAGEM

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

CONVENIÊNCIA BODEGA DA VILLA

domingo, 10 de setembro de 2017

Os caminhos de Armando Monteiro Neto nas eleições de 2018


Tido como candidato natural ao governo do Estado, o senador Armando Monteiro Neto (PTB) tem sido ofuscado na disputa sucessória. A frente de oposição formada por PSDB, DEM e PTB ganhou o reforço do senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB), que entrou no partido e deve assumir o controle da legenda, após manobra da Executiva Nacional da sigla. O senador vem incensando o nome do filho, o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (ainda no PSB), para encabeçar a chapa. Com isso, o nome de Armando, que era visto como o mais forte para encarar o desafio, ganhou um rival. Nos bastidores, especula-se que ele pode disputar a reeleição ao Senado, com duas vagas em jogo. Armando classifica a discussão como prematura e defende que primeiro é preciso fortalecer os interesses comuns e não especular nomes.

Ao contrário de 2014, quando uma derrota eleitoral não significava a perda de um mandato, Armando avalia cuidadosamente a estratégia, se disputa o mandato para o governo ou a renovação da vaga no Senado.

De 2014 para cá, o petebista tem traçado estratégia para formar um grupo político de oposição ao governador Paulo Câmara (PSB) e conseguiu fazer prefeitos em cidades de médio porte, como Camaragibe, São Lourenço da Mata e Igarassu. Nas eleições suplementares, elegeu dois aliados: em Ipojuca e em Belo Jardim. O grupo político dele, no entanto, está em dois polos – um lado ruma com o PT, no caso do deputado Silvio Costa (PTdoB) e o outro, mais ligado ao grupo empresarial, ruma com PSDB e DEM. Desde o impeachment de Dilma (PT), o senador se descolou da sigla, de quem foi aliado em 2014.

O pé nos dois barcos pode render ao senador votos para renovar o mandato. Antes dessa frente de oposição ganhar fôlego, quando a discussão ainda era restrita aos bastidores, pesquisas de intenção de voto colocavam Armando com 22% das intenções de voto – o mais bem posicionado da oposição.

AVALIAÇÕES

Aliado de Armando, o deputado federal Silvio Costa (PTdoB) afirma que o senador sempre trabalhou para ampliar o leque da oposição em Pernambuco. “Na história do Estado sempre há um candidato natural à oposição e agora esse nome é Armando Monteiro Neto. E vou continuar defendendo que seja candidato com apoio do (ex) presidente Lula”, avalia.

Na mesma linha, o deputado federal Jorge Côrte Real (PTB) ratifica que a questão de nomes não está em debate. “Evidentemente que o nome do senador é forte. Ele tem toda experiência e se habilita bem, mas isso não está sendo colocado como prioridade. Assim como não está sendo colocado o de ninguém. Seria desagregador partir para isso agora”, diz.

O deputado defende que não há açodamento na escolha de quem será o cabeça da chapa e que importante é fortalecer o grupo de oposição. “Vamos ficar tranquilos porque não é questão de perder espaço. O que se quer é fortalecer um espaço, que é de oposição ao governo”, disse.

Armando critica a antecipação de chapas e diz que foco da discussão é a perspectiva do alinhamento das forças. Para ele, o movimento do grupo de FBC é positivo: revela um “movimento sísmico” no Estado.

“É uma mudança nas placas de forças que estão se deslocando e estão em movimento. O grande desafio agora é saber se essas forças podem encontrar pontos de identidade e convergência capazes de se expressar claramente numa agenda e se é possível que isso também se expresse numa candidatura dessas forças ou em duas...Acho que temos longo caminho a percorrer”, avalia. “Isso não tira perspectiva de projeto de ninguém, mas denota um esvaziamento do campo governista, que vem desidratando e perdendo força em função dessas defecções”, acrescentou, numa crítica ao governo Paulo Câmara.

Quanto à especulação de que pode concorrer à vaga do Senado, Armando reitera que se recusa a discutir chapa. “Não tem essa história de que alguém vai para um lugar ou para outro. Não se pode passar ideia de que tem um processo de pessoas. É preciso dialogar”.