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sábado, 3 de junho de 2017

Polícia conclui que Caso Itambé foi homicídio


O policial que atirou no jovem Edvaldo da Silva Alves, de 19 anos, durante um protesto em Itambé, na Zona da Mata Norte, e o capitão que deu a ordem do disparo foram indiciados por homicídio culposo. O inquérito da Corregedoria da Polícia Civil foi apresentado nesta sexta (2) e concluiu que eles não possuíam treinamento adequado.

O inquérito foi concluído pela Corregedoria da Polícia Civil e os detalhes, anunciados pelo delegado Pablo Tenório em coletiva  de imprensa na manhã desta sexta-feira (2). Após pesquisa técnica, foi concluído que o policial que atirou no jovem durante protesto por segurança em março passado não possuía treinamento para o uso do elastômero ou bala de borracha. O capitão que deu o comando do disparo também não tinha treinamento e responderá por abuso de autoridade. Ambos serão indiciados por homicídio culposo (sem intenção de matar).

Segundo o delegado responsável pelo caso, foram realizados seis exames periciais, mais os complementares.“Quando se trata de uma ocorrência de bala de borracha, são levados em consideração vários fatores: distância, posição”, declarou o delegado Pablo Tenório. A doutrina técnica aponta que a distância mínima para um tiro de bala de borracha é de 20 metros. No vídeo, é possível identificar que o tiro foi disparado a uma distância menor.

O policial Ivaldo Batista de Souza Jr., de 33 anos, e o capitão Ramos Silva Cazé, de 43 anos, ainda estão atuando na Polícia, mas não nas ruas. A Corregedoria julgará se eles serão afastados ou não. “Na investigação não houve o preenchimento de requisitos legais que apontassem uma prisão preventiva dos policiais” afirmou Pablo Tenório.

Em depoimento, ambos os indiciados afirmaram que fizeram uso dos disparos para conter a multidão e que não tinham a intenção de provocar feridas letais. Era a primeira vez que o policial Ivaldo Batista, em seis anos de serviço, fazia uso da elastômero e bala de borracha. Quando questionado sobre a agressão contra a vítima, o capitão Ramos afirmou que desferiu um tapa contra o jovem para contê-lo, pois ele parecia muito nervoso.

“A causa da morte estabelecida foi uma infecção generalizada, mas pode-se dizer que isso foi causado pelo tiro” afirma a gerente geral de polícia científica, Sandra Santos. “O inquérito foi muito complexo, pois a perícia precisava analisar elementos importantes no vídeo, como a distância do disparo. O trabalho dos legistas foi dificultado e por isso o resultado demorou tanto para ser liberado”, justifica ela.

Veja o vídeo do momento em que Edvaldo foi baleado:



Entenda o caso

Um policial atirou com bala de borracha, à queima-roupa, na virilha do jovem Edvaldo da Silva Alves, de 19 anos, durante manifestação na rodovia PE-75 por segurança em Itambé. Edvaldo chegou a ser hospitalizado, mas faleceu no dia 11 de abril. Após o ocorrido, o irmão de Edvaldo sofreu ameaças de morte.

Foram abertos dois inquéritos – um policial e outro militar -, além de um processo administrativo pela corregedoria geral da Secretaria de Defesa Social. Os policiais envolvidos prestaram suas declarações à polícia e foram afastados das ruas, estando responsáveis apenas por atividades burocráticas.

Via FolhaPE