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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Polícias investigam sete casos de vítimas do "jogo" Baleia azul em Pernambuco


As polícias Civil e Federal já registram sete casos de adolescentes envolvidos com o “jogo” Baleia Azul em Pernambuco. A informação é da Polícia Civil de Pernambuco, que realizou uma coletiva de imprensa para dar orientações sobre o assunto na tarde desta quinta-feira (20), no Recife.

A Polícia Civil investiga dois casos no Recife - um menino no Ibura e uma menina em Brasília Teimosa -; uma menina no município de Paulista; um menino em Goiana e um em Vicência, na Zona da Mata Norte. Já a Polícia Federal investiga dois casos na cidade de Moreno, na Região Metropolitana do Recife.

"É um jogo macabro, quase uma seita, que afeta pessoas que ainda não têm o discernimento que nós, adultos, temos", disse Darlison Freire, gestor do Departamento de Policia da Criança e do Adolescente (DPCA). 

O caso no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, foi registrado nesta quinta, e envolve um adolescente. Segundo o delegado, numa das tarefas, o jovem tinha que filmar o sacrifício de um gato e beber o sangue dele. No “jogo”, a filmagem teria que ser enviada para o aliciador, conhecido como “curador”, para comprovar que a tarefa foi cumprida. Caso não fosse, a vítima e família dela seriam ameaçadas de morte.

"O ameaçador costuma ter informações da vítima, muitas delas fornecidas pelo próprio adolescente", explica Darlson. No caso registrado nessa quarta (19), uma adolescente de 13 anos moradora de Paulista, também na RMR, teria recebido ameaças por meio de mensagens no WhatsApp quando avisou que iria sair do jogo. As mensagens partiram de pessoas que moram em Minas Gerais, Bahia e interior do Rio de Janeiro. A polícia recebeu esse material e já está investigando quem seriam esses aliciadores. "A ameaça já começa quando a pessoa ingressa, a de que, uma vez entrando, não podem mais sair", explicou o gestor.

As investigações acontecem tanto em âmbito local quanto nacional e contam com uma força-tarefa e com a colaboração de polícias de diversos estados. Os aliciadores, mesmo que tenham menos de 18 anos, podem ser responsabilizados, junto com seus responsáveis legais. "Já vemos crimes de ameaça, lesão corporal e induzimento ao suicídio (artigo 122, reclusão de 2 a 6 anos)", explicou Darlson.

"É assustador que as pessoas estejam cumprindo essas tarefas. Temos o temor de que, chegando ao Brasil, essas tarefas sofram modificações e passem a se dirigir a outras pessoas, como orientações para envenenar outros", falou Darlson. No Jogo, cada participante deve cumprir uma série de tarefas que vão desde a automutilação até o suicídio. Outras tarefas também são realizadas para influenciar o psicológico dos adolescentes, como assistir uma série de filmes de terror.

Confira as recomendações da Polícia Federal:

O jogo Baleia Azul

A referência do nome do jogo não é por acaso. As baleias são popularmente conhecidas por comportamento suicida ao forçarem o encalhe na praia. Uma das teorias é a “hipótese do integrante doente”, quando uma baleia doente procura águas rasas e tranquilas em busca de segurança, outras baleias a seguem e acabam encalhadas também.

Tudo na internet se espalha muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. Neste caso não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo e tudo começou na Rússia, em 2015, quando uma jovem de 15 anos tirou a própria vida; dias depois, uma adolescente de 14 anos, Rina Palenkova, cometeu suicídio na cidade de Ussuriysk. Depois de investigar as causas, a polícia ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última delas acabar com a própria vida. A partir daí aconteceram cerca de 130 suicídios de crianças ocorridos na Rússia de novembro de 2015 a abril de 2016 e que de acordo com eles, quase todos eram membros do mesmo grupo na Internet.

Causas do suicídio

As autoridades dizem que as causas principais são amor não correspondido, problemas familiares, dificuldades na escola, luto na família, saúde mental, falta de oportunidades, desemprego e abuso de drogas.

Cibercriminosos coagem adolescentes

Jogos com apelos de riscos letais têm virado moda entre os adolescentes como o jogo da asfixia, desafio do sal e gelo e jogo da fada. Os adolescentes e pré-adolescentes estão em uma fase em que ainda não percebem as consequências de seus atos. E esse jogo pode atrair não só aqueles em situação vulnerável, mas também outros, pela sedução da emoção que os desafios propõem. Pessoas fragilizadas por eventos traumáticos, isoladas emocionalmente, que possuem dificuldade em confiar ou que se sentem cobradas e exigidas em demasia são mais propensas a desenvolver quadros depressivos que as tornam alvos fáceis para esse tipo de manipulação. Então, utilizando-se da inocência, da paranoia e da neurose de suas vítimas fazem elas a acreditar que estão à mercê dos administradores;

As vítimas

Normalmente, os alvos dos criminosos são crianças e adolescentes, já que são facilmente impressionáveis e por isso são coagidas a participar do jogo no Facebook ou WhatsApp em virtude de terem acesso ao banco de dados do Serasa e Cadastro Nacional (com dados pessoais como nome completo, escola em que estuda, média de notas escolares, cidade, endereço, IP e nome de amigos próximos) onde passam a assustar as vítimas menores de idade ao mostrar dados pessoais e fazer ameaças. A criança se sente pressionada e amedrontada e passa a interagir com eles! As ameaças de seguem com perguntas tais como: “Desenhe uma baleia com estilete no braço, depois tire uma foto quando estiver sangrando e me envie. Você, seus amigos e sua família correm perigo, espero que você salve a eles. Dez minutos para a conclusão, fico no aguardo".