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sábado, 22 de abril de 2017

Água da transposição muda visual, mas efeitos da seca ainda continuam na Paraíba


O chão no leito do Rio Paraíba rachado pela seca estala a cada centímetro que vai sendo molhado pelas águas da transposição do Rio São Francisco. Há cinco anos não passava água em abundância por aqui. De cima de uma rocha, sentados, um grupo de moradores assiste à água chegando, enchendo poços e seguindo seu rumo. A cidade é Cabaceiras, no Cariri paraibano, que tem o pior índice pluviométrico do Nordeste do Brasil. O impacto visual da água passando é forte, mas ainda vai levar um tempo para que os efeitos de seca cessem.

A imagem da água passando pelo chão rachado foi capturada no sítio Jacaré, na zona rural do município, quando ela passava pelos últimos quilômetros antes de entrar na bacia do açude Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, que está com apenas 3% da capacidade total.

Há 35 dias, as águas da transposição do Rio São Francisco chegaram ao estado da Paraíba, através da cidade de Monteiro no Cariri paraibano. Por onde tem passado, a água tem causado uma impacto em meio à devastação.

O agricultor Tiago Guimarães, 27 anos, mora no sítio Jacaré e nos últimos dias ficou monitorando o rio para acompanhar o momento da chegada “Pra ser sincero eu pensei que ia demorar mais. Por causa que aqui estava muito seco. Mas graças a Deus chegou. Faz muitos dias que essa água estava para chegar e ficava todo mundo olhando (o rio). É muito bom ter uma água que vai servir para beber, para dar aos bichos, plantar milho, feijão”, disse ele.

Água ainda não pode ser usada

Apesar da boa expectativa, a água que chega ainda não pode ser usada, pois precisa passar por tratamento. Também ainda está proibida a utilização da água para irrigação. A Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) está fazendo o cadastramento das famílias que moram a margem do leito do Rio Paraíba. “Quando o problema de abastecimento humano for resolvido, essas famílias vão pode usar a água através de outorgas que serão cedidas”, disse o presidente da Aesa, João Fernandes.

Abastecimento humano

Já o gerente regional da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Ronaldo Menezes, explica que, com a chegada das águas da transposição ao açude de Boqueirão, o reservatório deve levar de dois meses e meio a três meses para sair do volume morto. Nesta quarta-feira (12), o açude está com apenas 3% da capacidade total. O volume morto começa quando o nível está abaixo de 8,2%.

“O período que isso será atingido depende da vazão de chegada das águas do Rio São Francisco. Considerando uma vazão de 7 m³ [de água] por segundo, esse tempo será de dois meses e meio a três meses”, explica Ronaldo Menezes.

Chegada a Boqueirão

As águas da transposição do rio São Francisco começaram a chegar à bacia hidráulica do açude Epitácio Pessoa, conhecido como Boqueirão, na madrugada desta quarta-feira (12). O açude está com apenas 3% da capacidade total e os órgãos públicos já temiam um colapso no abastecimento, caso o manancial continuasse sem receber recargas.

João Fernandes dá crédito à chuva pela água já ter chegado à bacia. "De ontem para hoje [as águas] andaram apenas 3 km. Ainda não temos previsão de quando as águas vão se encontrar", disse, mencionando a chegada da água ao espelho d'água, que fica a 16 km do local aonde a água chegou pouco depois da meia-noite.

A chegada da água a Boqueirão ocorreu dentro do prazo estimado pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa). A previsão era que, após ter chegado a Monteiro, na Paraíba, ela levasse de 30 a 45 dias para chegar Boqueirão, mas o encontro das águas do São Francisco com as de Boqueirão ocorre 35 dias após a chegada em Monteiro. 

Do G1/PB